Mitologia na Trilha
By Ismale Trabuco - novembro 21, 2017
Me inspira tudo no mundo, mas foco no positivo...interessante ter a internet para registro e compartilhamento de memórias pessoais...como diz um dito popular “o povo aumenta mas não inventa”... aqui narro a verdade mas invento uma maneira de fazê-lo e quando aumento faço como na realidade aumentada, acrescento informações num dado momento.
A dicotomia, essa dualidade da nossa realidade é neutralizada na unificação
Sempre iminente para se fazer presente quando realizada.
Anunciam os sinais e mensageiros;
Capto.
No conto a seguir relato como experimentei holisticamente
o ser, ou não,
o ser, ou não,
Uma significativa fração, de certo.
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Me familiarizei com aquele caminho;Era cansativo mas me levava a um banho sensacional em águas puríssimas.
Fiz a pé mas depois descolei uma bike para ir todos os dias;
Saía da vila, passava no centro da cidade, acessava a rodovia, pegava uma estrada de terra que ía à um parque municipal de onde entrava por uma cancela num caminho de fazenda até chegar em uma trilha;
Normal os ciclistas e motoristas estacionarem seus veículos no ínicio desta e continuarem a pé até os pontos de banho;
Mas eu continuava com a bike; Pedalava e contornava os obstáculos, brecava, equilibrava; Fluia. O desafio era não por o pé no chão.
Agora, penso que por estar acostumado com a trilha, relaxado depois do banho e andar por toda ela, entrei numa ponte no fim de um trecho intra floresta, muito distraído. Voltava do rio.
Essa ponte sobrepassa um charco, já na ponta do caminho da fazenda, chegando no supracitado estacionamento; sempre que passava sobre ele, talvez pela velocidade e adrenalina misturadas ao mistério que há naquela paisagem bucólica, me sentia impelido a me unir aquilo.
Essa atração, homem - brejo, se intensificou depois que me deparei com um jacaré tomando sol no meio da ponte que é bem estreita, ou seja, obstruiria o caminho. Ao me perceber, vindo em certa velocidade, se assustou e pulou primeiro; Passei olhando e vi o bicho se jogar todo todo, com a cauda empinada e balançando, tchun-tchun, pra lá e pra cá, helicopterando, hipnose aplicada com a mira daquele olho do rabo...penso, oshii! esse bicho é fêmea ou macho?
A energia potencial acumulada da cinética me lançava para frente, mas como já queria me unir àquela paisagem encharcada, inverti o lançamento em direção contrária, para o ponto onde passei, onde o jacaré havia se lançado.
A combinação de joelhos protuberantes e canelas finas contribuem nesse tipo de lançamento, agora sou um Jaburu alçando voo, abri as asas, penas ao vento, bati uma vez e sou Seriema cantando, duas vezes e quis parecer com a Coruja que encontrava sempre de madrugada voltando dos rolês;
Moro num dos limites da cidade de São Paulo, uma área verde que já recebia há um par de décadas atrás, dutos, escadarias, calçadas e outras infraestruturas para um futuro projeto de prédios, melhor solução segundo os parâmetros da nossa sociedade, dos quais praticidade e rentabilidade são principais, para a questão: Onde morar? Alvenaria. Pedra e aço, por vezes um vidro ou outro material estético (bastante gesso é verdade), geralmente em formas retilíneas, quadrangulares e seguindo a tendência, vertical e subindo.(Lembrando que são raras as exceções, Niemeyer colocou ali no meio uma chorosa boca, com residentes em cubos, claro)
Mas a área já houvera sido desmatada para se tornar um vulgo “calipal” ou eucaliptal e uma desses eucaliptos já deveria ter sido cortada se fosse comercial, mas como o terreno fora comprado para empreendimentos imobiliários e ela estava plantada na várzea de um rio, era mata ciliar, protegida por lei, o córrego que beira também é poluído, mas... resolveram não mexer com ela. Se tornara perfeita para que a sábia coruja fizesse seu ninho no topo: enorme, robusta e frondosa! Quando dispensava algum de seus galhos era um alarde. Pense em centenas de quilos despencando de dezenas de metros ( ! ) Quando quero acendo uma fogueira com sua abundante dispensa. Aquela ave pode ver suas presas passando por toda área: Preás, ratos, rãs, cobras e outros pássaros que se alimentam de insetos, tipo os vaga-lumes e frutas silvestres como o morango. Também já vi até gambá ali. Encontrei pedras, rochas e minerais, quartzos, ametista e até a semi preciosa Lápis Lázuli.
Era chegar de algum canto, de alguma missão, sentar numa parte elevada do morro e meditar que ela surgia. Não sei se mais alguém a via porque só saía de madrugada, no breu, sua brancura era camuflada e flutuava como pluma. Certeza de que ela quis se revelar para mim tive quando uma noite voou, na altura do meu ombro e um braço de distância, imperiosa, planando. Lembro do seu olhar agudíssimo, expressa, vê tudo e mais um pouco, das sobrancelhas de nervosa e daquela famosa virada de cabeça.
Pelo nome popular quem lê já pode imaginar; Criaturas medonhas essas! Insetos voadores medindo pique uma palma com nuances metálicas que no voo se fundem num caleidoscópio com o corpo, asas, antenas, patas e um zumbido terrível; Essa vespa tem o ferrão mais dolorido das galáxias, já comprovado, não queira provar ou literalmente reprovar, não ganhou esse nome a toa;
Mas sinceramente acho estranho associarmos o cão e o cavalo, mamíferos, a um inseto que pensamos negativo e que na verdade nem é risco para o ser humano no geral. Imaginar um cão cavalgando uma vespa. E associar uma entidade metafísica à uma criatura da natureza?
Ouvi um satanista me dizer uma vez que seu mestre era quem mais sofria preconceitos já que “botam a culpa nele por tudo quanto é merda e todo mau até pelo oque ele não é responsável. Um dia será revelado…” contava;
Agora sento em frente ao órgão de tubos, sinto uma força da áurea aos dedos que enrijece os músculos por esse percurso, minha face se contrai, mostro os dentes, movendo o corpo numa onda assimétrica e angular, canalizo a força até concentrá-la nas falanges do anelar, toco uma tecla,(!) Sol bemol, catedrática, sustenho. Com a voz ecoada pela construção gótica: - Senhoras e Senhores, cito agora Lúcifer. Toco o acorde de Sol bemol diminuto (!), um maluco que conheci no litoral baiano; tendo pão amassado no alforge, oferecia, roquetroncho igual, daquele modelo. Não éramos favozeiros mas sabíamos do mangue das 3 e das 11. Eu carregava meus malabares mais um mangueador de pulseiras, brincos e colares autorais e também um instrumento pelo qual ele muito se interessou; Me ensinou a técnica da filigrama, da preparação da bigorna á finalização do cobre, e sobre trabalhos de couro, o furador, as tranças...tinha alguma treta com a família que desabafava às vezes, na maioria do tempo grita aos transeuntes “ Vai cagar no mato!
Em outra reunião reverenciamos o pentagrama os elementais da natureza, o ruim só era respeitado...Recebi um convite e fui a casa de exú; “O mal que pedes é o que recebes” afirmou. Também, deixa, nem ia pedir nada mesmo; Depois das consultas, charutos e duas garrafas de cachaça, quem me levou me trouxe guiando o automóvel e não se notavam sinais do álcool.
Lembro me de um Bruxo Catalão. Convidado a se retirar de um círculo arco-íris por praticar magia negra em ambiente familiar. Sei que chamar a atenção e ocasionalmente ser expulso por falta de disciplina é um comportamento “normal” e até de prestígio, mas não para aquele círculo nem para o Bruxo. Ficou de verdade triste com a decisão do consenso. Creio que voltará ao encontro.
Minha avó, conselheira, cartomante, benzedeira, contava histórias absurdas e muitos a vinham visitar, tinha até pinga no armário para no caso de possessos que apareciam do nada, pedirem; Me disse uma frase emblemática, “a mesma cabeça que comanda a esquerda guia a direita”.
Rufem os tambores, chaqualhem os caxixis, batam o pé no chão uníssonos, estou no meio dessa ciranda para falar da Grande Xamã, que conheci em Minas Gerais. Manjava das terapias naturais a partir das quais se conecta com o Divino. Ensinava: as doses devem se tornar homeopáticas a ponto de eu por uma gota de Chá de Ayahuasca, por exemplo, na mão, esfregar e respirar e já ser suficiente para sentir a força. São como muletas que um dia não precisará mais. Você pensa e sente a força…
Esqueci minha caneta no mato e não sabia onde estava, daí criei um pêndulo, instrumento com o qual se pode procurar água e na verdade o que quiser e imaginar, inclusive respostas no meu caso a caneta, anotem essa é boa, lista de materiais:
Cordão: pode se fazer trançando capim ou cipós;
Pedra: preferível cristalina apontada;
Em uma das pontas do cordão pendure a pedra e na outra segure com os dedos.
Ande e sinta a vibração que vem da terra normalmente ou de outras partes. A resposta está no que você combina com o seu instrumento: Círculos sentido horário, Sim, anti-horário, Não, perpendicular, Talvez, velocidade aumentada, está quente, ou próximo, etc. Você percebe o que você imaginou e é aqui que o pêndulo tem a ver com o chá. Depois de um tempo tu não precisas mais pêndular. Pode segurar uma haste, ou até o próprio dedo até que só de pensar tu se orientas.
Com certeza pela influência oriental, africana pontualmente, a cultura ocidental, evidentemente materialista e pragmática, é mística e espiritual sim, especificando, a americana desde a era pré-descoberta também, a sul americana então.... e a brasileira nem se fala, chega a se desdobrar ao ponto de nomear a vespa há pouco referida aqui nesse conto com o dito nome.
Voltando ao voo do Jaburu-Seriema-Coruja, o zumbido do Cavalo estava me desconcentrando, foi bom que me lembrou que haveria de ter o pouso e ainda ia aprender a aterrissar. Então dei uma asada, mas não era asa, olhei e vi a cor parda daquele meu membro e percebi: é uma garra felina! Eita! Sou quimera, um leão alado enfrentando o mito da gravidade, dançando com o cavalo e o cão um balé aéreo em algum espaço metafórico, anúncio em visão ao profeta grilo que de um ramo por ali se emprega em interpretar, - Mas oque é isso?...Uma onça aterrisando no pântano, arqueada.
A vespa passou zumbindo e a patada que passou no vácuo bateu no solo fértil do aguado.
Estava ali, quadrúpede e antes que pudesse engatinhar uma libélula posou entre meus olhos, em sua asa umedecida pude ser refletido e vi lama, escamas e olhos vermelhos; Pensei em Monstro do Lago, Chupacabras, Curupira, Caipora mas é claro, sou aquele que é conhecido pelas quebradas como Zica do Pântano, a própria;
Ó meu boot que loco, Pé de Barro! Meus pano rasgô? E daí? Já tive relógio mas esse emaranhado de capim dorado é top! Aprendi a ver as horas pela sombra que faz no pulso. Minha lupa é milgrau com lentes de bolhas de argila cristalizada numa armação de gravetos retorcidos e ops! Parte da armação vuô! é um bicho de pau! Firmeza ficou legal assim tamem e opa! voltô! ó se pá se comunica naturalmente com o ambiente, wireless monstro; no cabelo, descabelo.
Quero voltar para São Luiz do Maranhão e ser a Zica do Baile no Bar do Nelson ou numa Sound dos parsas em Bernô, nas cariocas CDD ou complexo do Alemão e quando no Helipa então, Vishi! pérai vou colá de que? Já sei, imagina o bololô do Cavalo do Cão!
Como consegui esse nome? Foi quando queriam me arrastar para Grandpântano, em uma ilha, num desacerto com o sistema, ó só, vai veno, me enviaro um agente e aê, se num tá nem ligado, sérião... Só no debate monstro, sem baixaria, fulerage nem perreco e é o seguinte, pocas ideia, tendeu. Teve um momento da palavra assim:
- Pensar, o que, saber? (os bicho fala estranho brou)
- To aqui, tranquilo, curtindo, nada a ver. Pensando no Som, sei do Amor.
Requisitei a minha. Antes de sair, me deram esse codenome.
Mas agora, tinha aterrisado ali e ainda estava de quatro com as patas meio afundadas, olho para os lados ninguém, nada, silêncio total, posso ouvir 4’33 de John Cage, minto, pensando bem, lembrei e retificando, na verdade o som que o vento faz nas folhas também é audível, fica fácil estimular na lembrança algum movimento de Beethoven ou Villa Lobos. Contemplando o cenário retiro as patas dianteiras do chão, de quatro pode pegar mal, pensei no crocodilo em algum lugar ali: - Depois eu que sou o Veado…
Mas quem sou eu? Observo toda aquela vegetação esparsa, o céu, o vento, a fogueira que deixara acesa em algum lugar, percebia todos, o pulgão no capim, a joaninha logo ali vindo devorá-lo, um pássaro sobrevoando ao alto,
Nuvens desenhadas no céu,
Onde se lê nada e tem-lo sido entendido
Sempre como se queira
Um só pode realizar seu próprio pensar.
Me perdi no cenário porque sou o próprio cenário, observador e observado, cada folha cada pata, todo som e o silêncio, o único que era, agora é o todo, ou abstrai o todo que é, no único que sou. Percebi o Tetris nas coisas, encaixava os blocos que formam as imagens para assimilar e absorvê-las. É disso que a física quântica está falando? É tudo reflexo da mente? A matéria e a energia, o tempo e o espaço. Um insight Nirvânico estava sendo escrito antes que eu o pudesse escrever aqui.
Vou escrever essa ideia e ir ao baile...mas se eu for ela pode ficar sabendo e não gostar...Ela? Ela quem? A Bela! E eu sou só a Fera, é isso! Sou a fera, ok. Mas quem é a Bela?
A dama espalhou que sou malandro vagabundo,
Julieta espelhou em mim ofensa qualquer;
Uma, e mesmo a mesma, quando me vê como um homem e quer,
Denovo, nem o cavalo do cão impede…
"Só por Deus e um copo de vinho.” diz meu amigo. Lembrei do celular, será que molhou? Encontrei, peguei, segurei com o polegar aquisitor, ilha das flores, sou um homem enlodado só. Olho as minhas mãos e vejo as marcasdeixadas por esse tempo. Calejadas, feridas.
Ogum quando ataca o dragão, fere a si mesmo;
O Médico é o Monstro que ele trata no íntimo.
Posso imaginar um livro intitulado “Trabalho da Alma” no qual um chinês planta arroz na Mongólia pensando em voltar para o lar longe na metrópole e se transforma com sua experiência, ou sobre um alguém em Amsterdã na beira de um canal recitando romantismo enquanto espera, bêbado, o barco:
Ser pintor do cenário
Nascido na Boemia,
Gostar então da casa
De retratar a própria,
Mulher e filha.
Posso ser um etrusco em Stromboli aproveitando a calma entre erupções para pescar caranguejos num mangue de areia vulcânica escura. No Nilo na festa da colheita do trigo, mas quem colhe sou eu e ainda tem a debulha; Na Mesopotâmia, construindo uma ponte ou um barco visualizando os astros, indo para Babilônia (ou saindo)
I’d rather be a muthafuckn’ nigga rappin’ in Bronx
But i was in the roots, inna Louisiana Swamp,
Singing a blues to raise our mood
Body enslaved, Mind gloomy
But i was in the roots, inna Louisiana Swamp,
Singing a blues to raise our mood
Body enslaved, Mind gloomy
Enlightened by the music.
Perfeitamente um escravo Sadhu Indiano que vai para Jamaica na plantação que equipa as velas das caravelas do descobrimento e descobre que vai cultivar Cânhamo hidropônico. Un latino haciendo una choza de chapa en la lluvia, las marcas del martillo en sus dedos, tratando de dejar el espacio para la antigua salamandra que usa para cocinar y calentar su habitación.
Mas estou aqui, e agora? Me levanto, lavo me numa fonte ao lado, subo na ponte e vejo a bicicleta á frente; O caminhar sobre a ponte, o passar da paisagem na visão periférica a aproximação da focal, virtual aquilo, e se a realidade for um game? Qual objetivo? No Pac-Man, comer o mais rápido possível tudinho, final fantasy subir de experiência, posso me imaginar encanador resgatando a Princesa do Castelo; Ela na Torre eu ainda no fosso da entrada. Nem cogumelos ou flores ali e Luigi ficara em algum lugar; O mano do Minecraft pode estar certo: Krshna tem Arjuna, Quixote andou com Sancho Panza mas quem nunca caminhou só?
De um sonho
Acorda se saindo
Ou se sai acordando?
Quando os campos largos outrora percorridos
Se tornam paredes e se percebe dentro.
E então,
Percorrendo todo o labirinto dessa construção
(como o rio que está sujo na cidade mas é limpo antes e depois dela,
Na fonte e foz)
Eis a Torre!
De onde se vê tudo por ali.
Na real, os castelos são nobres por quem os habita;
A Caverna e o Neandertal,
Um Homem e a sua Alma.
Até pensei que talvez soubesse que aquilo não era para ferir, por isso me joguei; Seguisse a tendência do lançamento e estaria na grama, quem sabe me ferisse até mais, de fato, me ralei na bike, no pântamo me embalsamei de vida!Não era zica mas sorte! Gozo autoral, unificação com o natural!
Se é sujeira? Depende. É terra, água e alguma matéria orgânica, quase toda vegetal e sabemos também que água transparente pode esconder muito.
Teoricamente ,envolvendo mais alguém afetaria a ética e dependendo da interpretação individual, a moral também;
O espírito não se altera por questões dessa ordem, talvez pelas reflexões advindas. Eventualmente o psicológico sim.
Nesse caso preferi seguir e logo em seguida já estava pedalando de novo. Voltei ao mesmo caminho outras vezes, apesar de não ter visto mais o jacaré. Figura essa classe, Répteis! Em outras experiências tive encontros incríveis;
Narro depois.
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